A Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu foi fundada em maio de 2011 em Curitiba com um intuito bem definido – criar uma interface de diálogo construtivo com o poder público afim de consolidar o desenvolvimento de políticas de ciclomobilidade. Dentro deste amplo objetivo muitas necessidades foram percebidas. Os ciclistas não estão bem cuidados por nossa sociedade. Além da carência explícita de ciclovias e ciclofaixas, de uma rede bem amarrada com conexões e cruzamentos seguros, falta também toda uma estrutura de paraciclos, bicicletários, sinalização, vestiários nas empresas e, o mais importante, o florescimento de uma cultura de respeito e simpatia à bicicleta.

Há histórico por trás disso tudo. Não são reivindicações do momento. Estão sendo ditas, escritas e gritadas há alguns anos. As bicicletadas iniciaram em 2005 exigindo políticas de estímulo a bicicleta como meio de transporte. A cultura da bicicleta sempre existiu em Curitiba. É rica e diversificada. Isto significa que existe gente de todo tipo. De todas as ideologias. A CicloIguaçu não pretende ser representante de tudo isto, mas almeja apenas fomentar situações de maior segurança para quem quer pedalar pela cidade – por prazer, esporte ou trabalho. Ela está defendendo diretrizes e valores que fortaleçam este objetivo. Ela não quer representar quem não quer ser representado e quem quer se representar diretamente, dentro da CicloIguaçu, nestas diversas frentes de trabalho que estão ocorrendo no momento, é bastante bem vindo. Tem reuniões, conversas e articulações acontecendo.

A ideia de um grupo organizado, uma associação – nasceu da necessidade de forçar um diálogo com o poder público. É isso mesmo – forçar – porque foi assim que agimos desde sempre. Se o interlocutor te ignora, você faz algo para chamar sua atenção. Junta um monte de gente na rua. Sai gritando. Cria fantasias. Cria fatos. Pinta ciclofaixas. Re-organiza o espaço urbano. Re-significa as coisas.

Tal necessidade, sentida por muitos de nós que estávamos há mais de 7 anos tentando mostrar pro então prefeito o que é uma bicicleta, levou a tentativa de se criar um grupo mais ou menos organizado, uma instância que agregasse pessoas que querem contribuir positivamente à causa.  Quem quer participar é bem vindo e tudo o que aconteceu até agora só se efetivou porque existem muitos braços, muitas cabeças, muitas ideias. A práxis é coletiva e está acontecendo agora.

A CicloIguaçu também só existe porque tem um número crescente de ciclistas e de gente um pouco mais consciente em geral. Teve mais de 1500 ciclistas no Dia Sem Carros de 2010. Tem mais de 12.000 votos para Lei da Bicicleta (www.votolivre.org). Tem um movimento histórico em movimento. Todos reconhecem isto, no entanto as políticas públicas atuais priorizam o automóvel particular. Curitiba e o Paraná não são exceção.

A CicloIguaçu é aberta a participação de todos. Há arquitetos que querem melhorar o padrão das ciclovias, há artistas que querem mexer com a cultura geral, há advogados e juristas preocupados com as especificidades legais e há gente que simplesmente apóia tudo isto. Tem espaço para debater e propor ideias.

As políticas que inserem a bicicleta não devem depender da simpatia do gestor. Devem ser incorporadas a dinâmica da cidade – limpeza das ruas, saneamento, energia, ônibus, bicicleta.