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O que é ZONA30?
É um modelo de planejamento urbano onde uma determinada área, composta por algumas quadras ou bairros inteiros, é remodelada e adota o limite de velocidade igual a 30 km/h. A área em questão deve ser devidamente sinalizada e pode receber também medidas físicas para garantir o tráfego mais calmo.

Por que ZONA30?
Numa colisão a 65km/h, até 90% dos casos acabam em fatalidade. A 50km/h, existe 20% de chance de uma pessoa morrer. A 30km/h, isso baixa para 2%. Curitiba foi uma das cinco cidades escolhidas para o Projeto Vida no Trânsito no Brasil inserido no contexto internacional de mobilização para o alcance da meta da Década de Ações para a Segurança no Trânsito 2011-2020 decretada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Infelizmente, os resultados ainda são muito pouco expressivos.

A adoção da ZONA30 em várias regiões da cidade é uma das formas mais eficientes de prevenir mortes no trânsito.

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Entretanto, a redução do limite de velocidade para 30 km/h não apenas salva vidas, ela otimiza o uso da rua de várias outras maneiras. É um ambiente mais amigável para pedestres e ciclistas, tornando por sua vez o tráfego de carros mais calmo e fluido.

Construir ciclovias segregadas demanda investimento e às vezes um espaço urbano que não está mais disponível. A ZONA30 torna isso desnecessário.

O limite de 30km/h propicia menos barulho de motor, buzinadas e freadas bruscas. Tornando a área mais acolhedora a crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Atendendo dessa forma, vários princípios descritos no artigo 5º da Política Nacional de Mobilidade.

Todos esses fatores contribuem para que as pessoas voltem a usar as ruas como espaço de convivência e torna as ruas mais seguras em relação a ladrões e agressores que evitam locais como esses para agir.

A economia também agradece. Numa pesquisa de 2003, calcula-se que os gastos com acidente somente em Curitiba superaram R$250 milhões naquele ano. Considerando a correção monetária e o crescente número de acidentes,  a disseminação da ZONA30 pode representar uma economia significativa para cidade.

 

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Em vários outros domínio de transporte, como viagens aéreas, a segurança recebe prioridade absoluta, os passageiros devem aguardar, quanto for necessário, o tempo gasto em solo por razões de segurança. No transporte viário é diferente, existe uma conformação generalizada de que as mortes e lesões são “… grandes, mas de uma certa forma consequências aceitáveis da mobilidade.”

(Tingvall and Haworth, 1999)

 

ZONA30 já existe em outros lugares?
Vários países europeus já adotaram ZONA30. Existem casos de cidades (Graz, Austria) que adotaram a ZONA30 em toda a sua área (com exceção da avenida principal). Nos Estados Unidos, a ZONA30 tem se tornado uma medida cada vez mais popular.  Muitas iniciativas estão vinculadas a proximidade de escolas e áreas com crianças. Contudo, existem casos como Nova Iorque que tem implantado ZONA30 por toda cidade com grande apoio das comunidades locais. Australia e México são países que também começaram a reduzir seus limites de velocidades urbanos usuais.

A ZONA30 funciona?
Alguns mitos comuns são: geração de mais poluição e aumento significativo to tempo das viagens. Isso tem se mostrado falso em ambos os casos. Áreas de ZONA30 são desenhadas para proporcionar um tráfego mais regular e constante, fazendo com que haja menos emissão de poluição e mantendo a velocidade média geral praticamente igual ao que era antes da remodelagem.

Um estudo realizado pela Universidade de Queensland, mostrou que num percurso de 44 km, a diferença no tempo de viagem entre um motorista que dirige preventivamente e outro que adota uma postura agressiva  – com aceleração excessiva em sinais e cruzamentos (arrancadas), mudanças bruscas de pista (costurar o trânsito) e não guardar uma distância segura do carro da frente – é em média 1 minuto. Apesar dessa vantagem ínfima de tempo, motoristas agressivos geram até 4 vezes mais poluição.

Como implantar a ZONA30?
A criação de uma área como essa envolve sinalização adequada e possíveis mudanças no traçado das vias. Além disso, são empregadas campanhas educativas e medidas de incentivo ao deslocamento ativo e uso múltiplo do espaço público.

Veja todas as postagens relacionadas ao projeto.

 


A psicologia do deslocamento
O que acontece comigo quando quero ir do lugar A ao lugar B? Porque quero passar o menor tempo possível no caminho, usarei um veículo. Então, em primeiro lugar, eu restrinjo o meu comportamento social – movimentos desfocados são substituídos por ações focadas e diretas. Inicialmente eu me movimento de um ambiente no qual me encontrava um minuto atrás. Eu continuo inclinado a ajustar meu comportamento de trânsito ao comportamento social das outras  pessoas, mas quanto mais minha conexão com este lugar se reduz e o tempo passa, esta disposição diminui e eu sinto um impulso a me deslocar mais rapidamente. Quando possível, procuro alguma forma que facilite este movimento focado e rápido. Por algum tempo, eu estou preparado a compartilhar o trânsito com todos os tipos de tráfego lento, mas depois disso, eu realmente tenho que ir de uma vez. Assim que alcanço a pista rápida, eu sou antes de tudo um motorista, parte de um mundo técnico de trânsito com suas próprias leis, quase completamente separado do mundo das pessoas reais. Quando me aproximo do meu destino, o processo corre em sentido contrário.