, ,

7 motivos para o metrô subterrâneo em Curitiba

Avatar de gpmendes

1.A atual tecnologia de perfuração de túneis está extremamente desenvolvida. A utilização dos TBM´s ou “tatuzões” permitem furar e concretar ao mesmo tempo, perfazendo até 50 m de túnel por dia. Neste ritmo, os 14 Km do projeto de Curitiba levaria apenas 280 dias para finalizar. As obras mais demoradas serão as estações de embarque e desembarque, que levarão (pela previsão inicial) 4 anos para tornarem-se operacionais.

2.O fato do metro ser subterrâneo elimina vários problemas que ocorrem em uma obra de superfície, entre eles:

  • A necessidade de longas e caras ações judiciais para rever os cálculos de desapropriações de terrenos particulares na cidade. Isto atrasa por anos a finalização da obra, e quem paga é o cidadão.
  • Elimina quase completamente os atropelamentos de pedestres e ciclistas. Se apenas uma vida tiver sido salva já terá valido a pena tanto investimento.
  • Elimina anos de transtornos da população em obras de superfície.
  • Não degrada o entorno da via pública onde for construído. Na cidade de SP, há um movimento público que deseja demolir o “minhocão”, elevado de 3,4 km, devido ao fato de toda a área sob o extenso viaduto estar degradada pela falta de insolação e a consequente presença de lixo, mendigos e drogados que tomaram a região. O comércio desta região também foi muito prejudicado. Isto ocorreria em Curitiba com a implantação de vias elevadas.


3.Ao contrário do “minhocão” todas as vias públicas por onde passará o metro curitibano tornar-se-ão, segundo o projeto original, um “Boulevard”, onde as canaletas transformar-se-ão em jardins, calçadas para pedestres e ciclovias para ciclistas. Isto será um grande estímulo para os cidadãos descerem de seus prédios e conhecer e curtir melhor seu bairro e seus vizinhos, o que representará um salto positivo na qualidade de vida dos curitibanos.



4.A natureza do metro subterrâneo permite a expansão gradativa da capacidade de transporte público conforme o crescimento da demanda. Vagões adicionais podem ser acrescentados às composições sem risco de atrapalhar o trânsito de superfície. Isto não é possível no sistema atual de ônibus ou no sistema VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).


5.O metro subterrâneo é um projeto de longo prazo, previsto para finalizar a primeira fase em 4 anos e expandir-se ao longo de centenas de anos e como tal, o difamado custo de “5 vezes mais” que o VLT (Veiculo leve sobre trilhos) será diluído ao longo dos séculos.

6.É o único sistema que poderá suportar a demanda pública em larga escala futuramente sem incorrer nos diversos problemas citados acima.

7. Tenho um amigo na cidade de SP que passou os 35 anos de vida profissional SEM CARRO. Perguntei como isto era possível. Ele respondeu-me que andava de metrô para todo o lado. Imagine o impacto negativo se, numa Curitiba do futuro, milhões de cidadãos continuarem a deslocar-se de automóvel pela cidade!  Sabemos que o curitibano possui uma cultura exacerbada de utilização do automóvel (mais ainda que o paulistano) e o dever do poder público é desestimular esta cultura egoísta e estimular a utilização de transporte público e alternativo, através de campanhas educativas como esta.

Os defensores de outros meios de transporte de massa alegam que o custo do metrô subterrâneo é até 5 (cinco) vezes maior que o VLT. Qualquer outro meio de transporte é mais barato que o metrô dentro de uma visão de curto e médio prazo. A medida que a população aumentará, a implantação do VLT , ou outro sistema de transporte, exigirá mais investimentos valiosos nos próximos 20 anos e periodicamente a cada 2 ou 3 décadas. Somando-se todo este investimento, em 1 ou 2 séculos resultará num valor maior que o metrô, especialmente se considerarmos que o valor venal dos terrenos elevar-se-á cada vez mais, enquanto o subsolo sempre será gratuito para o poder público. Não há milagres, a solução do transporte público demandará investimento pesado, a diferença é como encaramos o problema. O gestor público tem a obrigação de pensar a solução de longo prazo. Infelizmente no nosso país, os políticos estão mais interessados em apresentar soluções rápidas para garantir seu próximo mandato. Cabe aos eleitores escolher melhor os governantes que implantarão o futuro sistema de transporte.

No metrô subterrâneo, o ganho de velocidade no transporte para o cidadão será visivelmente maior que o ônibus coletivo tradicional. Basta lembrar o tempo que os motoristas de biarticulados perdem nos cruzamentos das canaletas. O padrão de condução infelizmente é sair da estação tubo acelerando ao máximo para frear forte 10 metros a frente para esperar o sinal vermelho abrir. No metrô tal fato não ocorre, pois todo o sistema é automatizado e operado remotamente por computadores. O condutor serve apenas como “fiscal local” da composição. A economia de combustível, pago pelo contribuinte e o benefício para o meio ambiente será imenso. Em uma cidade como SP, uma viagem completa da linha norte-sul leva 2 horas de ônibus, mas de metrô leva apenas 30 minutos.

O sentido maior do metro é fornecer transporte público barato e eficiente ao maior número de cidadãos possível. Por causa disto, o investimento nas 14 estações já planejadas será fundamental para o sucesso e mesmo para a justificativa de seus custos.


Ao mesmo tempo, é fundamental pensarmos na integração do metrô com outros modais de transporte, como a bicicleta. Um cidadão que mora a algumas quadras de distância (ou mais) deve ser estimulado a pedalar sua bicicleta até a estação mais próxima, onde encontrará um local seguro para estacioná-la, pegar o metrô e ir trabalhar. No seu retorno ao lar, fazer o caminho inverso, encontrando sua bike em perfeitas condições.

Claro que o metrô não é a única solução definitiva para a problemática do transporte coletivo de Curitiba, é apenas a melhor de longo prazo. Certamente teremos que continuar investindo nos ônibus tradicionais, nos táxis, bikes, skates, etc, mas se SP e Londres estão com problemas, imagine se não houvesse o metrô! Seria o caos, ruas engarrafadas por toda a cidade, ninguém mais andaria de carro por lá. (Pensando bem, isso já está ocorrendo…).

Outro importante diferença entre Curitiba e SP é que passaram por lá sujeitos como o Maluf,  que sugou milhões de reais em obras de valores superfaturados. Devido ao aprimoramento das entidades de fiscalização (Ministério Público, Tribunal de Contas, Polícia Federal, etc) tamanha roubalheira não ocorrerá em Curitiba. Claro que não somos ingênuos em pensar que não haverá desvios, apenas será muito menor e mais difícil, para felicidade dos curitibanos.

O prefeito Gustavo Fruet já expressou sua vontade de adiar por 6 meses a 1 ano a obra do metro curitibano para que haja mais discussão com a população… É saudável que uma obra deste porte e prazo realmente seja melhor discutida. Problemas como a posição das futuras estações planejadas devem ser melhor discutidas com a população. Enviei uma solicitação a URBS para efetuar estudos de viabilidade para implantação de uma estação de metrô na micro-região do Shopping Agua Verde, pois nesta área existem 3 grandes condomínios, centenas de prédios habitacionais, além de várias clínicas médicas. Pelo projeto original, o morador das imediações do Shopping Agua Verde terá que andar 700 metros até a estação mais próxima, o que é um contra-senso. Responderam que meu questionamento será enviado a comissão de planejamento do projeto executivo do metro.
Qualquer cidadão pode e deve fazer o mesmo ligando para o número 156 da prefeitura de Curitiba e solicitar melhorias para a nossa cidade.

Todo e qualquer texto publicado nesta coluna é de exclusiva e integral responsabilidade do seu respectivo autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Cicloiguaçu.

Compartilhe esta publicação

Participação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Outras pesquisas e publicações