Ciclos com palavras – Preâmbulo
Fiquei pensando em qual nome deveria dar para uma coluna onde escreveria semanalmente sobre assuntos relativos à ciclomobilidade. De início pensei em um nome mais clássico, enveredando por uma raiz grega, como “O Teatro Platônico e a bicicleta”. Bobagem aguda. A bicicleta não é tão antiga assim e o título pareceu-me um tanto pretensioso. Depois pensei em algo relacionado ao tempo, como “Do Celerífero e de pedais”. Achei interessante, mas não queria vincular a coluna com aspectos históricos. Por fim, achei melhor que ela se ativesse a fatos, informes e principalmente opiniões. Por isto cunhei o nome que espero se fixe ao longo do tempo, “Ciclos com palavras”. Pois será com ele que estarei hebdomadariamente com os interessados nas duas rodas leves. De fato, espero construir momentos de reflexão e informação capazes de ajudar a transformação da cultura da mobilidade em nossa cidade.
Entre muitas das ações votadas à promoção da ciclomobilidade nenhuma delas atingiu mais rápido sucesso do que a implantação da “bicicleta pública”, conhecida mundialmente como “bike sharing”. Neste quesito nenhuma cidade mundial suplantou o sucesso do Programa “Vélib”, de Paris. Recentemente, a prefeita da capital francesa anunciou na imprensa local que é sua pretensão ampliar o sistema, o maior do mundo, que já conta com 20 mil bicicletas para aluguel, assim como dobrar a rede cicloviária parisiense com seus atuais 652 km até o ano 2020. A informação circulou pela primeira vez através de notícia repassada pela colega cicloativista Fabianne Balvedi, após ter consultado a fonte Bike é Legal.
No Brasil, no ultimo domingo, dia 14/12, tivemos a implantação do sistema Bicicletar em Fortaleza, inicialmente com 15 estações. No entanto, deverá atingir na primeira fase cerca de 40 estações, com 10 bicicletas em cada uma. A operadora Serttel foi selecionada através de edital de chamamento público, lançado em Setembro deste ano, tendo como patrocinadora da primeira fase a empresa Unimed. Ao baixar o aplicativo Bicicletar no smartphone e optar por um plano de adesão com taxa diária (R$ 5,00), mensal (R$ 10,00) ou anual (R$ 60,00), informando o cartão de crédito de onde será debitado o valor do plano escolhido, o usuário estará apto a fazer a retirada de uma bicicleta para fazer suas viagens, segundo informes obtidos diretamente do jornal local “O Povo”.
Também como parte das comemorações do aniversário de 117 anos da cidade, Belo Horizonte entregou na semana passada mais estações ao seu sistema de bicicleta pública, totalizando 40 estações em funcionamento. Com mais de 34 mil usuários cadastrados o serviço BIKE BH é considerado um sucesso, em especial nos finais de semana. A Empresa Serttel também é a operadora do sistema naquela capital, e o patrocínio é do Banco Itaú. Maiores detalhes sobre a expansão do sistema em BH pode ser encontrada neste link.
Paris, Fortaleza, Belo Horizonte, tudo muito bonito, mas nossos ciclistas perguntariam: “E nós aqui em Curitiba, quando é que teremos este sistema?” Mesmo sem poder precisar a data, posso adiantar que ainda este ano o IPPUC fará um esforço concentrado em dois dias antes do Natal, para tentar montar a minuta de um Termo de Referência para a contratação do serviço. No entanto, é preciso estar claro que o órgão responsável pela contratação e implantação das bicicletas públicas na nossa cidade é a URBS. Assim, a equipe que irá elaborar o primeiro documento será composta por técnicos, tanto do IPPUC como da URBS.
O que é possível adiantar do trabalho que será realizado? Acredito que estará em jogo a definição de 40 espaços para implantação de bicicletas públicas. É possível dizer que esses locais deverão se concentrar na Área Central da cidade. Deverão ser situar junto de áreas ou equipamentos com grande potencial de atratividade dos usuários, como terminais de transporte; mercados públicos; áreas de concentração de comércio; praças públicas etc. Também se inclui entre as preocupações da equipe a ideia de se deixar em cada uma das estações ao menos mais 50% de vagas livres para a devolução de bicicletas. E ainda a possibilidade do sistema poder ser ampliado em até cinco vezes com a mesma empresa, sem a necessidade de nova licitação.
Como pode ser observado, parece que o estímulo das conquistas de outras capitais do País poderão conduzir a uma aceleração do processo por aqui. Oxalá que isto não demore muito. Até porque os sistemas existentes no Brasil já estão por demais testados e empresas operadoras já adquiriram experiência suficiente para fazer com que por aqui a operação também seja bem sucedida. É aguardar mais alguns meses para ver. Interessante observar, entretanto, que Curitiba foi pioneira e vanguarda em vários aspectos da mobilidade, mas na questão da bicicleta está ainda um passo atrás em relação a outras cidades brasileiras. Porém, se não pode a cidade estar entre as primeiras, ao menos não seja ela a última.
Todo e qualquer texto publicado nesta coluna é de exclusiva e integral responsabilidade do seu respectivo autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Cicloiguaçu.

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