Quando publiquei o primeiro artigo sobre bicicleta pública pretendia logo em seguida escrever sobre o mesmo assunto relatando o teor do trabalho que iria realizar na montagem do termo de referência deste serviço em Curitiba. Qual o quê! Esqueci de que estamos no final de ano e as pessoas têm outras urgências. Têm elas de fechar trabalhos ainda não concluídos. Devo dizer: a reunião não aconteceu.
Apesar disso o tema deve continuar em pauta. Seria importante mantê-lo vivo, cobrar das autoridades − e de nós mesmos, cicloativistas − urgência nas providências para sua implantação em Curitiba. Seria fundamental ter um maior número de cidades brasileiras lutando para ter este serviço até o final desta década.
Entretanto, esta é uma discussão muito política. Cabe-nos, basicamente, reivindicar mediante panfletagem ou massa crítica, ou ainda, por meio de reivindicações diretas, para que a Prefeitura realize ações para sua breve implantação. De preferência no primeiro semestre de 2015.
Enquanto isto não ocorre podemos refletir sobre o que desejamos para um serviço de bicicleta pública entre nós. Será queremos a sua presença apenas numa área da cidade? Será queremos ele apenas no centro urbano? Qual o tempo estaríamos dispostos a esperar para que ele se expanda para os bairros? E quais seriam esses bairros? Será queremos ele somente integrado ao transporte coletivo? Ou queremos ele livremente por todos os quadrantes de uma região ou bairro?
São muitas as perguntas e dúvidas. Tentarei colocar a seguir qual a minha opinião para uma primeira fase do serviço aqui em Curitiba.
Em primeiro lugar, entendo que o serviço deve começar pela área central. Isto por ser este o local com maior concentração de viagens urbanas (deslocamentos) dos habitantes de Curitiba e na Região Metropolitana. É ainda nesta área onde ocorrem os principais fluxos de pessoas em viagens internas ao próprio bairro. Também é para ela que se dirigem milhares de pessoas diariamente para exercer atividades as mais variadas possíveis. No centro urbano os cidadãos chegam de forma diferenciada, sendo preponderantes os acessos a ela através de ônibus e de automóvel.
Defendo também que o serviço deva buscar basicamente a integração com o transporte coletivo. Assim, grande número de estações deverão estar próximas dos terminais de ônibus. Com isto uma parcela significativa da população usuária de ônibus poderia ao desembarcar de pronto pegar uma bicicleta e se dirigir ao trabalho ou ao destino final da sua viagem. Assim estaremos incorporando uma parcela de usuários à mobilidade da bicicleta e aos benefícios gerados por este serviço.
Entretanto, para que isto ocorra é preciso acalmar o centro urbano. É necessário fazer com que a maioria, se não a totalidade do centro de Curitiba, opere com velocidade de tráfego limitada em 30 km/h. Esta então deverá ser outra reivindicação do cicloativismo à prefeitura da cidade. E se esta é uma tarefa difícil de se obter na sua totalidade, que seja feita por etapas, alterando de início um quadrante da cidade. Depois seria mudada uma outra porção, até que todo o centro fosse acalmado e as bicicletas e os pedestres possam de fato circular sem temores por todas vias do centro. Certamente o comércio muito se beneficiará com esta medida, pois as pessoas encontrarão outra satisfação em circular em segurança, hoje somente possível nos grandes “shoppings” de lojas.
Por fim, vários outros pontos deveriam ser mencionados, tais como: tipologia das estações; qualidade das bicicletas a serem ofertadas; facilidades de retirada e devolução dos terminais de bicis; forma de operação da tarifa integrada; aluguel por dia, por mês, por ano e os problemas daí decorrentes; formas de expansão do serviço; infraestrutura de apoio à circulação nas proximidades dos terminais de bicis etc.
Mas paremos por aqui. O assunto é extenso e certamente a ele ainda voltaremos, seja com comentários mais técnicos ou não. O importante é não deixar o tema ficar no limbo do esquecimento. Devemos aproveitar a irradiação da “onda” que se alastra de norte a sul do País. Devemos mais do que surfar nela, exigir que ela ultrapasse a Serra do Mar e venha nos banhar. Porque a bicicleta pública é entre todas, acredito, a maior revolução na promoção do modal bicicleta já ocorrido. Isto, desde os movimentos em favor da sustentabilidade ambiental associada ao uso da bicicleta, durante a crise do petróleo nos anos 70 do Século XX.
A importância das bicicletas públicas na ciclomobilidade II
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