Em vários locais das avenidas estruturais de Curitiba (as “canaletas”) foram instaladas grades de proteção para tentar evitar o cruzamento de pedestres nos pontos mais perigosos. Muitas delas a pedido da própria sociedade, como é o caso da UTFPR, solicitada pelo seu diretor à época. A esquina da avenida Sete de Setembro com a avenida Marechal Floriano, onde encontra-se a UTFPR, foi considerada a mais perigosa de Curitiba devido ao grande número de acidentes com vítimas. Eu mesmo presenciei um atropelamento nesta esquina há 10 anos atrás, quando não havia grades de proteção, de um jovem que estava calmamente conversando com seu grupo de amigos, parados sobre a calçada que divide a canaleta da via local e, num momento de descuido, invadiu o asfalto da canaleta exatamente no momento que passava um biarticulado. O barulho do impacto de seu corpo com o coletivo nunca mais esquecerei.
Invoco este triste fato para explicar que não é só bebida e drogas que matam mas comportamento de grupo também. Pessoas, quando estão em grupo, fazem coisas estúpidas que não fariam quando estão sozinhas, especialmente os adolescentes. Este acidente poderia ter sido evitado se houvesse tais grades.
Parece incrível, mas atropelamentos como este ocorrem todos os dias em Curitiba e os motivos são sempre a negligência, imprudência e imperícia dos motoristas e pedestres.
Existe a cultura no Brasil de imputar a culpa do acidente ao acaso (a famosa “fatalidade”) ou à “falha técnica”. Sempre esclareço aos meus alunos de engenharia na UTFPR que ambos não existem, pois sempre há um ser humano responsável. Quando o caminhão passa por cima de uma família inteira na descida da serra, o motorista aparece na TV culpando o sistema de freios, esquecendo que a manutenção do mesmo era de sua responsabilidade. Mesmo se o defeito foi no projeto de fábrica, existe um engenheiro responsável.
Isto significa que é plenamente possível reduzir o índice de acidentes a zero, polpando o terrível sofrimento que apenas quem já perdeu tragicamente um ente querido sabe quantifcar.
Claro que a solução definitiva é a educação da população, principalmente do motorista que conduz um artefato de 100 toneladas pelas ruas, mas isso leva décadas, e até lá, devemos buscar formas provisórias de evitar tais mortes, como as grades de proteção e intensas fiscalizações eletrônicas ou policiais.
Apesar dos ciclistas atribuirem os acidentes aos condutores de automóveis, a grande maioria dos pedestres não atravessa a rua na faixa e muitos ciclistas pedalam a noite sem nenhuma sinalização luminosa, comportamentos irresponsáveis e semelhantes a dirigir um veículo estando embriagado.
A redução das mortes e feridos nas vias públicas virá com a adoção de campanhas educativas nas mídias promovendo a conscientização e mais respeito mútuo entre os diversos agentes (pedestres, condutores, etc) da mobilidade urbana e nós, ciclistas podemos contribuir com pequenas atitudes como instalar um LED de sinalização noturna, andar com capacete ou parar na faixa para o pedestre passar, atitudes que plantam nos outros a pequena semente do respeito e da tolerância.
O jovem atropelado na frente da UTFPR infelizmente faleceu no dia seguinte.
Todo e qualquer texto publicado nesta coluna é de exclusiva e integral responsabilidade do seu respectivo autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Cicloiguaçu.

Deixe um comentário