Diminuir a velocidade dos automóveis nas vias centrais da cidade, de modo que a prioridade seja o pedestre e o ciclista. A proposta de implantação de um “Centro acalmado” em Curitiba foi discutida na tarde de ontem, em um encontro promovido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), em parceria com a Associação dos Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu).
O palestrante convidado para o evento foi Reginaldo Paiva, do Instituto de Engenharia de São Paulo, que fomentou o debate com “cases” da capital paulista. Segundo ele, a tendência é de retomada do conceito de “vizinhança tradicional” – quando há deslocamentos rápidos de casa ao trabalho – por meio de estreitamento das vias, eliminação de barreiras para pedestres, como meios-fios, e criação de atrativos visuais, como canteiros de flores.
A primeira via acalmada de Curitiba será a Avenida Sete de Setembro, que conforme Antônio Miranda, assessor da presidência do Ippuc e mediador do debate, deve ser um dos limites do quadrante do “centro acalmado” – os demais, ainda não foram definidos. Além da limitação da velocidade de automóveis a 30 km/h, por meio de placas, faixas elevadas (nas imediações de desembarques de ônibus) e lombadas, haverá melhorias nas calçadas.
De acordo com a engenheira de trânsito da Urbs Rosângela Battistella, a criação de uma “zona 30” – em referência a 30 quilômetros por hora como velocidade máxima permitida a automóveis no quadrilátero central – é um sonho antigo, que não encontrou eco nas administrações anteriores. “Espero que, agora, as coisas aconteçam.”
O coordenador da CicloIguaçu, Goura Nataraj, defende que, a exemplo de cidades europeias, Curitiba precisa resguardar seu Centro. “E por que 30 por hora? Porque, nessa velocidade, se houver um acidente, ninguém morre. O dano é menor.”
Pedágio
Para Rosângela, o centro acalmado deveria ir da Inácio Lustosa até a Sete de Setembro e da Mariano Torres até a 24 de maio. A ideia, explica ela, é que nesse quadrilátero, crie-se um “pedágio urbano”, para tornar o uso do carro menos vantajoso. “Defendo a manutenção dos estacionamentos remanescentes, mas a preços mais altos do que os atuais. Esse dinheiro poderia até subsidiar o transporte coletivo”, sugere.
A delimitação espacial do centro acalmado foi bastante debatida pelos presentes. “Há muita especulação sobre o quadrilátero. Muito mais do que essa definição, nossa intenção é discutir a zona 30, que não representa a exclusão do carro, mas a convivência harmônica com pedestres e ciclistas”, afirma Miranda.
Publicado originalmente pelo Jornal Gazeta do Povo em 01/10/2013.

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