Fim do ano 2014, século 21, mais um ano para a história, início de uma nova era, de novos tempos. Muitas mudanças estão acontecendo, a política não é mais a mesma, as pessoas não são mais as mesmas, se convencem por assuntos antes pouco explorados, a mídia tem muitas vezes o poder absoluto na defesa do que eles bem entenderem. E as cidades, o meio urbano, aonde a concentração de pessoas chega a níveis surreais, incapaz de recuperar-se. A maior, mais contraditória e mais complexa estrutura feita pelo homem.
O que era o êxodo rural na década de sessenta, o que atraiu as pessoas do campo para as grandes cidades, capitais, metrópoles, o que fez com quem as cidades tivessem um crescimento acelerado de sua população, o que as encantou? O progresso, novas conquistas, desafios, muitas vezes a ganância, a vontade de ser mais, ou menos, conhecer lugares novos, pessoas novas, como determinar tudo isso.
Foi mais de meio século que se passou e as cidades seguem crescendo, mas ainda há para onde crescer, ainda há recursos para atender e suportar todo esse crescimento? E as necessidades, os desejos, como atendê-los? As pessoas se movem, as pessoas realizam atividades, é a vida nas cidades. E elas querem mais.

As necessidades das pessoas são sua vida, seu modo, seu dia a dia, algo que precisam realizar, precisam fazer, agir, seguir em frente. Como fazê-lo? Um dos fatores, a Mobilidade.
A mobilidade, o deslocamento, surgiu muitos antes disso tudo, ele sempre existiu independente do modo, meio, trajeto, percurso, prioritário ou não, mas sempre existiu. Desafiadores, sempre foram e seguem assim. Sem dúvida os desafios eram muito maiores há alguns anos. Não existiam largas vias, impermeáveis, lisas, retilíneas, contínuas, que seguem o relevo sem considerar o que havia pela frente, se era uma grande colina, uma montanha, uma cordilheira ou uma linda araucária talvez uma frondosa seringueira centenária. Alguns sim eram calmos e tranquilos, ao lado de grandes rios, córregos, interagindo com a natureza, respeitando-a.
As pessoas, os animais, os vegetais, algumas vezes acima da nossa imaginação, todos se deslocam. Alguns individualmente, muitos outros coletivamente e a maioria compartilhando. Compartilhando a via, o espaço, o meio, a cidade…
Todos possuem seu tempo, sabem que o destino os espera, prazos indeterminados ou determinados, mas o destino é certo, se chegam a tempo ou não, depende de cada situação. O espaço tempo é algo que define o deslocamento das pessoas, mas algo falta, o inconsciente. Principalmente quando se fala no deslocamento de pessoas. Por que alguns se deslocam individualmente, motorizados ou não e por que muitos outros coletivamente.
Muitas definições e justificativas existem para determinar essas duas questões, cada uma tendenciosa ao direito de ir e vir de todo ser humano. Se um é mais impactante ao meio que habitamos e o outro não, sim, eles são diferentes, mas ainda assim, o inconsciente nos domina e determina o que fazer, como agir, influenciados ou não, é ele que determina.
Motorizados, não motorizados, a propulsão humana ou animal, todos possuem o meio para fazer esse movimento. Todos se deslocam de alguma maneira, utilizando determinados combustíveis, podem eles ser fósseis ou não, elétricos ou a própria energia humana.
E as cidades, o meio onde a grande maioria dos deslocamentos acontece, o meio urbano, a selva de pedra, a impermeável. Cada uma com sua morfologia, sua características únicas, seus costumes, suas tradições, a cultura local, e as pessoas. As pessoas, suas necessidades, grande maioria similares, trabalho, educação, lazer.
…devemos dizer que uma cidade vibrante é um processo, um processo “dinamicamente estável”, no qual forças positivas e negativas dos retornos, bem como mutações e a diversidade inesperada, se combinam sob as condições certas para gerar ordem ao longo do tempo…
Jane Jacobs
Densas ou não, sua área e população que determina. Acessíveis ou não, a infraestrutura é as pessoas que definem. Respeitosos, compreensíveis, pacientes, fatores determinantes ao seu funcionamento. Exclusivas, inclusivas, espraiadas, termos, definições, significados.
…devemos levar em consideração não apenas a cidade como uma coisa em si, mas a cidade de modo como a percebem seus habitantes.
Kevin Lynch
A cidade é como um corpo humano, que precisa sobreviver através de suas funções e necessidades, e ela funciona. Debilitada, saudável, como determinar sua sobrevivência, a continuidade de suas ações. A Mobilidade é um desses fatores primordiais para o funcionamento de um grande conglomerado de pessoas, não tanto como é saneamento, mesmo assim é primordial. Respeite seu corpo, preserve sua cidade.
Sabe-se das dificuldades, os desafios, mas sim é possível, é só querer, a cidade está em transformação, coisas estão acontecendo e devem acontecer, a vida nela deve seguir saudosa, agradável, viva. Compartilhe os espaços, suas ações, pense, repense, você é mais um ali tentando sobreviver, viver. Mova-se, caminhe, pedale, observe, ame, você, nós, eu.

Lembre-se que você é só mais uma pessoa que está vivendo na cidade. É difícil, mas é possível a vida nas cidades…
Todo e qualquer texto publicado nesta coluna é de exclusiva e integral responsabilidade do seu respectivo autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Cicloiguaçu.

Deixe um comentário