Desde que comecei a pedalar pela cidade um novo mundo foi se abrindo em minha mente. Lembro-me bem quando – tendo o ponto de partida o Hauer – comecei a ir para a faculdade que fica no final do Rebouças comecinho do bairro Água Verde a pé quando dava tempo, pois ainda não tinha bicicleta. Comecei a conhecer a cidade de uma outra forma. Aos poucos comecei a perceber que aquela distância que se parecia ser tão grande em minha mente foi ficando mais curta. Porém isto só se deu fortemente quando decidi a pedalar na maior parte dos meus deslocamentos na cidade. Percebi então de vez que Curitiba nem é tão grande assim como alguns costumam a pintar e além disto: que os morros e as chuvas da nossa cidade não são impedimento para quem vem e vai de bike. Cada vez mais fui conhecendo detalhes que para mim eram desconhecidos e que são desconhecidos para muita gente ainda. Porém também já senti na pele o desrespeito de muitos motoristas, o que considero a real barreira que muitos tem para pedalar aqui.
Apesar de ter tido oportunidade de ter minha mente expandida em relação à cidade na qual moro, notei que grande parte dela eu ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer. Então no final de 2013 passei a fazer parte da empresa Ecobike Courier, um time de pessoas dedicadas que faz entregas de quase todo tipo de encomendas por meio de bicicletas, seja na chuva seja no sol. Neste ano que se passou tive grandes aprendizados, pode então experimentar os desafios do trânsito, do tempo, das entregas e as surpresas das diversas partes de Curitiba que ia explorando. Tive o privilégio de conhecer várias ruelas, perceber as dificuldades de algumas delas, conhecer seus erros e acertos, belezas e feiúras, dificuldades e facilidades. Entendi que toda e qualquer mudança que facilite ou atrapalhe a vida do ciclista é percebida pelo bike courier, ele é o termômetro de como vai a cidade para o ciclista. E ao trabalhar na Ecobike algo que me fez e faz, pensar e repensar as rotas diárias e a forma como pedalo é o fato que esta empresa faz exigência de uma comportamento que seja primeiramente seguro, que segundamente respeite a lei, não deixando com isto de perder a agilidade que o cliente requer. Com isto explorei caminhos que ciclistas nem sempre fazem, por estarem habituados com a rotina das canaletas de ônibus, às quais evito sempre (meu experimentar já me mostrou que nelas o risco é constante, a lei é infrigida e nem sempre ela significa mais velocidade). O aprendizado tido a partir da minha realidade é o qual tentarei transmitir, esperando que ajude muita gente.
Pretendo mensalmente escrever sobre a realidade de se pedalar em Curitiba e dar dicas de rotas mais seguras que passei a usar. Contarei também um pouco de minhas percepções e falarei de algum caso que tenha me chamado a atenção no meu dia a dia. Darei espaço para outros bike courier’s contarem um pouco do que é pedalar aproximadamente 8 horas por dia no trânsito insano da capital do Paraná. Torço para que pessoas que estejam começando a utilizar a bicicleta como meio de transporte em Curitiba recebam a ajuda que precisam, pedalando com mais conforto ao lerem dicas escritas aqui por mim e pelos outros escritores do blog da Cicloiguaçu.
Todo e qualquer texto publicado nesta coluna é de exclusiva e integral responsabilidade do seu respectivo autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Cicloiguaçu.


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