Dispositivos de orientação espacial, além de auxiliar as pessoas a se localizarem no espaço, promovem “senso de equilíbrio e bem-estar,” como observa Kevin Lynch, urbanista e escritor, autor do livro A imagem da cidade (1960). O autor também cunhou o termo wayfinding, um dos nomes, em inglês, para se referir aos sistemas de sinalização ambiental.
O termo foi utilizado pela primeira vez por Lynch, e o conceito de wayfinding formulado pelos canadenses Paul Arthur e Romedi Passini, ao publicarem Wayfinding in Architecture, em 1984. Essa área de estudo surgiu em uma tentativa de se humanizar os complexos e modernos espaços urbanos, tendo surgido como resposta os chamados sinage, architectural graphics, sign-system design, enviromental graphic design, wayfinding design, wayshowing design, design ambiental, sistemas de sinalização etc.
Independentemente do nome a ser chamado, profissionais que estudam e produzem sistemas de orientação, fazem mais do que apenas fixar uma placa com um sinal. Uma simples dobra no canto da página de um livro pode ser compreendida como um sinal, exemplifica Ana Velho em sua dissertação O Design de Sinalização no Brasil (2007). Já o design desses sistemas considera o processo de orientação, o planejamento espacial, a ordenação das informações na tomada de decisões, marcos, percepções, referências espaciais subjetivas a residentes, transeuntes, turistas. Os objetos informativos, por mais que possam ser sinais estáticos, devem se relacionar com o espaço de maneira dinâmica — o trânsito é um processo dinâmico.
Quanto a sistemas de orientação ambiental, produzidos com foco na ciclomobilidade:
- Promovem a mobilidade ativa por bicicleta. 🚴🚴🚴
- Fornecem Informações Turísticas. ℹ
- Que podem repercutir em ganhos ao comércio local. 🤑
A seguir, são listados recursos que podem ser utilizados pelo design de informação para esses sistemas:
Dispositivos
- Interseções numeradas;
- Rotas;
- Mapas;
- Pictogramas;
- Outros.
Objetos informativos
Produtos que operam os dispositivos; fazem a interface entre as pessoas e a informação.
- Mapas (na entrada de uma cidade cidade, de centro histórico, de edifício, parques e outros pontos de interesse): 📍
- Com listas de atrações (ex: cachoeira, montanha etc); ⛰💦
- Regras de utilização; ⛺🔥🚫
- Tipo de bicicleta indicado para as diferentes rotas e outras informações.
- Placas com sinais de orientação: ⬆ ➡ ⬅
- Indicando o número da próxima interseção da rota ou infraestrutura cicloviária;
- Indicando direção de rota específica (ex: Nascentes do Rio Iguaçu➡) e proximidade de alguma atração (ex: ⬅Morro do Canal⛰).
- Placas com sinais de alerta. ⚠️
- Avisando sobre interseção de tráfego perigosa — aqui, é importante destacar que o tráfego motorizado é intrinsecamente perigoso; não basta apenas sinalizar (último recurso na gestão de risco), mas deve-se tratar alguns cruzamentos (primeiro ou segundo recurso na gestão de risco, dependendo do tipo de tratamento), com design urbano/rodoviário que reduza o risco — por exemplo, instalando ilhas para travessia entre os fluxos, para que ciclistas e pedestres possam cruzar um sentido de tráfego motorizado por vez; levando ainda em consideração, que um turista, por desconhecer o local, pode estar exposto à um risco ainda maior;
- Para rota que corresponda à trilha de caminhada, pelo cuidado com as pessoas à pé;
- Para riscos possíveis referentes ao terreno, como descida íngreme;
- Etc.
Além dos dispositivos e objetos citados, ao criar um sistema de orientação ambiental, podem ainda ser detectadas outras situações que possam ser solucionadas pelo design, de informação, orientação ambiental e/ou outras especialidades.
Exemplos de objetos informativos
A seguir, são coletivizadas ilustrações de dispositivos utilizados em sistemas com foco no transporte por bicicleta.
Interseções numeradas
Os números são exibidos em mapas e em placas de sinalização — uma pessoa pode planejar o percurso seguindo a sequência de números que corresponde à rota escolhida.

Exemplos de sinais urbanos direcionais simples
Simplesmente apontam para pontos de interesse, como equipamentos, bairros etc.
Exemplos de placas nos Países Baixos. Exibem distância (em quilômetros); algumas localizações possuem símbolos complementares; na imagem, Estação de Trem (Station 1) e Hospital (JBZ 2).

Placas encontradas nos Estados Unidos e Canadá — exibem tempo aproximado, ou distância, ou ambos.


Suportes de sinalização
As formas e cores dos suportes também ajudam um receptor na identificação do assunto das informações. Porém, como já foi visto nos exemplos anteriores e em alguns dos exemplos, a seguir, muitas placas de sinalização podem utilizar suportes já disponíveis, como postes de iluminação, hastes de outras placas, etc. Suportes específicos são geralmente utilizados em rotas no interior de parques ou visando algum modal ou motivo específico de deslocamento.

Sistema de sinalização aplicado em parque
O exemplo de sinalização apresentado a seguir, possui identidade visual e suporte específicos. É proposto para um parque e indica o grau de dificuldade de uma trilha em questão: easy “fácil”; intermediate “intermediário”. Além disso, indica os meios permitidos no percurso: não contempla apenas a bicicleta, mas quaisquer modais que podem ser utilizados no parque, como trilhas a pé etc, dentre outras informações.


Alguns dos sinais propostos possuem dicas para quem pedala, como “utilize marchas baixas nas subidas”, “utilize ambos os freios para manter-se no controle”.

Mapa com informações de rota cicloturística
Exemplo de objeto informativo em Pinhais, em rota para bicicletas Nascentes do Iguaçu no Paraná, em suporte específico.

Sistemas diferentes em um mesmo suporte
Na primeira imagem, a seguir, além do sinal que mostra o número da próxima interseção, esta coincide a uma “rota rápida interurbana”, indicada pelo código LF 21b (é dita “rápida” por ter o mínimo de interrupções possíveis, garantindo prioridade de passagem para a bicicleta na maior parte dos cruzamentos, o que possibilita que ciclistas aproveitem com maior eficiência a energia despendida para pedalar — cansa menos, sua menos — fator que pode ser decisivo na adoção da bicicleta).
Na segunda imagem, outra rota rápida divide o suporte com sinais direcionais simples. Na terceira imagem, um dos sinais direcionais aponta a direção de uma rota ciclística de lazer, possivelmente uma trilha em montanha, para mountain bike.

O exemplo abaixo mostra sistema voltado para veículos motorizados (em azul) e sistema para bicicletas (em vermelho), em um único suporte. Nota-se que nas duas imagens, tanto o sistema para carros, quanto para bicicletas, indicam os mesmos destinos. Porém, a direção à se seguir é diferente. Na segunda imagem, o caminho indicado pela placa azul, para o tráfego motorizado, é 4 km mais longo.

Considerações finais
Sistemas de orientação podem servir para locais de interesse turístico, como rotas de lazer e outras, mas percebe-se pelos exemplos que elas apontam para qualquer local de interesse público — até mesmo porque um turista, além de saber qual rota utilizar para acessar uma trilha ou cachoeira, ou qual rota corresponde à uma trilha em si, precisa também saber para que direção fica o centro de uma cidade, por exemplo.
Ou seja, qualquer investimento em infraestrutura urbana, em sistemas de orientação ambiental, que represente benefício para a população local, irá também beneficiar visitantes, ser utilizada para turistas e consequentemente devem beneficiar o comércio local e setor turístico. Afinal, um turista está provavelmente em busca de “equilíbrio e bem-estar”.


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