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Carta aberta: COVID-19 e ciclofaixas provisórias

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À População de Curitiba;
À Imprensa;
À Assembleia Legislativa do Paraná;
Ao Governo do Estado do Paraná;
À Câmara dos Vereadores de Curitiba;
À Prefeitura Municipal de Curitiba;
Ao Serviço Social das Indústrias – SESI – PR;
Ao Serviço Social do Comércio – SESC – PR;
À Associação Comercial do Paraná – ACP;
À Federação das Indústrias do Estado do Paraná – FIEP;
A todas as universidades e colégios dos ensinos de primeiro e segundo graus de Curitiba.

Pedimos atenção ao excelentíssimo Prefeito Rafael Greca de Macedo para aprovação da proposição legislativa N.º 203.00106.2020, da Câmara Municipal de Curitiba, para instalação de Ciclofaixas Provisórias.

Igualmente a todas e todos, estamos preocupados com a saúde da população. Apreensivos com a capacidade dos nossos hospitais, louvamos a resistência dos nossos valorosos (as) médicos (as), enfermeiros (as), e auxiliares de saúde. Também estamos preocupados com a sobrevivência dos habitantes desta cidade, com seus empregos e renda. Neste momento difícil, quando a pandemia do coronavírus se alastra em todos os cantos do mundo e agora atinge fortemente o Brasil, obriga a toda população a ficar em casa. Por isto, agora é tempo também de muita reflexão e de oportunidades.

Temos visto cidades mundiais fazendo mudanças na organização do espaço urbano, preparando-se para quando a pandemia terminar. Bogotá incrementou a segurança aos ciclistas com 76 Km ciclofaixas temporárias, seguida de Berlim e cidades da Europa. Algumas querem fazer disto uma ação temporária. Entretanto, outras entendem ser a oportunidade para promover mudanças definitivas no trânsito urbano. Não querem mais suas cidades atravancadas de carros restringido a circulação de pedestres; encontros; compras; o lazer e a contemplação.

Conforme dados do Laboratório de Computação e Tecnologia em Engenharia Ambiental (LACTEA) do Paraná. Que realiza monitoramento nos últimos dias mostrou que o isolamento social causou uma redução de 50% na concentração de Material Particulado (MP) no ar de Curitiba

María Neira, a diretora de saúde pública da Organização Mundial da Saúde disse recentemente que: “Não temos ainda a prova que faz essa relação direta com a mortalidade, mas sabemos que se formos expostos à poluição estamos a aumentar as possibilidades de ficarmos mais afetadas severamente”, “Estamos a começar a passar mensagens aos países e regiões dizendo: se estão a começar a ter casos, nessas cidades em que têm altos níveis de poluição, reforcem a vossa preparação, porque podem ter uma mortalidade maior”.

Um bom exemplo vem de Milão, situada no epicentro da pandemia no território italiano. Sob o título “Milão anuncia plano ambicioso para reduzir o uso de carros após bloqueio”. Montou programa à implantação de 35 km de ruas para ciclistas e pedestres visando mudar a estrutura da sua mobilidade, seguindo o norte da Europa, com várias cidades da Alemanha, Holanda e Dinamarca. Com 1,4 milhão de hab. Milão se prepara para ter um ambiente mais saudável, mudando sua mobilidade, inaugurando uma nova cultura de vivência e qualidade de seus espaços. Em especial no centro urbano, onde as viagens não são maiores do que 4 km de ida e volta para realizar atividades básicas dos seus moradores.

Em Curitiba foi aprovada nesta semana uma sugestão ao executivo proposto pela vereadora Dr. Maria Letícia a instalação de ciclofaixas temporárias — gostaríamos de sugerir o nome provisórias — e segue agora para a sanção do Prefeito. Esta ideia foi também levantada pela Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu que lançou um abaixo-assinado na plataforma Avaaz que até o momento conta com mais de 1100 assinaturas. A iniciativa pede a sinalização provisória que pode ser feita por cones, prismas, balizadores e/ou faixas adesivas de sinalização, dentre outros recursos. Iniciativas de baixo custo e por áreas podem aumentar muito a sensação de segurança dos ciclistas reduzindo a necessidade do uso da aglomeração do transporte coletivo, reduzindo níveis de poluição atmosférica e promovendo exercícios de baixo impacto neste momento que precisamos ficar mais reclusos diz Fernando Rosenbaum coordenador da CicloIguaçu. Se aprovado pelo Prefeito Curitiba pode promover rapidamente um incremento a segurança dos usuários de bicicleta neste período de baixo tráfego viário e aumento da velocidade automotor. Promovendo Assim o transporte individual mas acessível e equânime de todos a bicicleta. Fortalecendo o comércio de rua, e a segurança pública, abrindo espaço para o serviço de última milha com a ciclologística. Agora é a hora para mudar a sinalização horizontal dessas vias mesmo que de forma provisória e incluir espaços à circulação segura da bicicleta. Também é o momento para experienciar a restrição de vias ao tráfego motorizado. Desde a década de 1980 não é criado nenhuma nova área dedicada prioritariamente à circulação dos pedestres. Portanto, estas são boa iniciativas. A cidade, as crianças, os jovens e os velhos sobreviventes com amplo apoio certamente por esta iniciativa.

Está feito o desafio. Quando envolvemos as instituições acima descritas, logo abaixo do povo, queremos com esta Carta Aberta afirmar que a crise atinge a todos. Ou seja, ricos, pobres; pessoas graduadas ou com baixa escolaridade; de todas as faixas etárias. A cidade é de toda gente e, assim como a pandemia, não escolhe pessoas e suas formações ou condições de vida.

Todos são convidados a desfrutar uma melhor qualidade de vida com seguridade. E isto somente pode ser garantido se houver o entendimento que se deva priorizar o transporte a pé, e bicicletas, entendendo que a velocidade de 4 a 5 km/h é aquela que nos une para que possamos dizer: pertencemos a esta cidade. Pertencemos ao Paraná, com muito orgulho. Porque em Curitiba não somente tem o melhor transporte do País, mas também a melhor qualidade de vida das capitais brasileiras.

Baixe a carta em PDF.

 

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