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Homo platea sapiens – Uma nova espécie surge para a cidade

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por Yasmim Reck

 

Nos últimos meses Curitiba tem sido ocupada por um nova espécie, os Homo platea sapiens. Eles possuem o curioso hábito de transformar o espaço ao seu redor. O processo de metamorfose é instantâneo, basta um cidadão comum caminhar até um dos focos de transmissão do vírus.

O Vírus

O vidanacidae, conhecido como vida na cidade, surge da metodologia urbanística Cidade para pessoas criada pelo arquiteto e urbanista Jan Gehl. Os primeiros contatos com a humanidade ocorreram em 1966 em Copenhague, capital da Dinamarca, e hoje já podem ser identificados em diversas cidades do mundo, como Nova Iorque, Santiago, Mar del Plata e São Paulo. A metodologia consiste na observação da vida pública, no comportamento, movimento e volume de gente como base para o planejamento dos espaços públicos.

Projeto Gehl Architects: Espelho d’água Anhangabaú, São Paulo.

Segundo Gehl, a vida na cidade e a consideração pelas pessoas no espaço público devem ter um papel-chave no planejamento urbano. Cuidar das pessoas na cidade é fator essencial para obtenção de cidades mais vivas, mais seguras, sustentáveis e saudáveis.

A caminhada

O vírus, inofensivo a saúde, atinge principalmente humanos que tenham uma pré disposição a interação com a cidade, promovida pela caminhada. Em essência caminhar é uma forma especial de convívio harmônico entre pessoas e o espaço público.

Quem pedala, caminha sobre rodas.
Os planejadores urbanos afetaram radicalmente a noção que se tem de cidade, de que elas nascem de baixo; nascem de suas ruas; da escala humana. A cidade projetada para o automóvel perdeu sua vitalidade, que depende do caminhar. O automóvel parece ser claramente um desenvolvimento da consciência do olho e não da consciência dos pés.

A pessoa que vive a cidade de dentro de um automóvel limita sua interação a uma experiência visual. A falta de interação física é uma forma de abandono do espaço e assim a cidade se torna em uma região do crime, “feche as janelas, tranque as portas, rápido.” O crime nas ruas psicologicamente começa com um mundo onde não se caminha; começa na prancheta do urbanista, que vê as cidades como um amontoados de arranha céus e de shopping centers com ruas que servem meramente de acesso entre eles.

Sendo assim, cada projeto de rua deve ser imaginado não em termos de chegar lá, mas também de estar lá. Afinal, os homo platea sapiens não habitam apenas quartos, atrás de portas, cadeiras em volta de mesas, ou empregos atrás de balcões.

​A cidade é a história que nos é contada entre nossa origem e destino.

Focos de transmissão

Os Homo platea sapiens, popularmente conhecido como Praceiros,  têm como principal característica o engajamento com a promoção da vida na cidade. Os grupos podem ser encontrados nos seguintes locais:

Bosque Gomm & Arquipélago Camões

Infectados pela reflexão sobre o uso dos espaços públicos, os grupos questionam projetos municipais que priorizam o fluxo de automóveis em detrimento de bosques e jardins. Os grupos revitalizam e promovem atividades culturais nos locais.

Praça de Bolso do Ciclista

Os primeiros infectados eram ciclistas que procuravam um ponto de encontro na cidade. As pessoas, que sobreviveram ao primeiro dia de exposição ao vírus, estabeleceram um vínculo afetivo com o espaço. O resultado é a experiência de uma cidade mais viva, segura e saudável, para quem ali passa e fica.

Oportunidade de contaminação massiva

Neste mês de Novembro, inicia a última fase de participação popular na revisão do Plano Diretor de Curitiba.

O Plano Diretor nada mais é do que um complexo de normas legais e diretrizes técnicas para o desenvolvimento global e constantes do Município, sob aspectos físico, social, econômico e administrativo, desejado pela comunidade local.

A participação popular é defendida pelo Estatuto das Cidades de maneira que, durante o processo de elaboração e da fiscalização de sua implantação, os poderes Legislativos e Executivo deverão realizar “audiências públicas e debates com a participação da sociedade para definir os rumos futuros da cidade”.

A CicloIguaçu, em parceria com o Movimento Mobiliza Curitiba, acompanhou as primeiras etapas do processo. Se você ainda não foi infectado, aproveite a oportunidade de se engajar no planejamento da nossa cidade.

 

Agenda Revisão do Plano Diretor de Curitiba

04/11– Reunião da Câmara Temática de Habitação do Concitiba
Sala Cidade – IPPUC – Rua Bom Jesus, 669 – Das 9h00 às 12h00

06/11– Planos Regionais e Setores Especiais
Câmara Municipal de Curitiba

10/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional Pinheirinho
Av. Winston Churchill, 2033 – Capão Raso – Das 18h30 às 21h30

11/11– Reunião da Câmara Temática de Mobilidade do Concitiba
IPPUC – Rua Bom Jesus, 669 – Das 9h00 às 12h00

11/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Santa Felicidade
Auditório I da Rua da Cidadania Santa Felicidade – Rua Santa Cecilia Boscardin, 213
Das 18h30 às 21h30

12/11– Reunião da Câmara Temática de Estruturação Urbana e Ambiental do Concitiba
IPPUC – Rua Bom Jesus, 669 – Das 9h00 às 12h00

12/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional Matriz
Centro de Educação Continuada da SME – Rua Dr. Faivre, 39 – Centro – Das 18h30 às 21h30

13/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional Boqueirão
SEST/SENAT – Rua Salvador Ferrante, 1440 – Boqueirão – Das 18h30 às 21h30

17/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional CIC
Auditório da Adm. regional CIC – Rua Manoel Valdomiro de Macedo, 2460 – Loja 3 – CIC
Das 18h30 às 21h30

18/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional Cajuru
Escola Municipal Elza Lerner – Rua Luis França, 2873 – Das 18h30 às 21h30

19/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional Boa Vista
Auditório III da Rua da Cidadania Boa Vista – Av. Paraná, 3.600 – Boa Vista – Das 18h30 às 21h30

20/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional Bairro Novo
Escola Municipa Rejane – Rua Nova Aurora, 717 – Próx. a Rua da Cidadania – Das 18h30 às 21h30

21/11– Audiência Pública do Plano Diretor – Regional Portão
Auditório III da Rua da Cidadania Fazendinha – Rua Carlos Klemtz, 1.700 – Ao lado do Terminal Fazendinha – Das 18h30 às 21h30

22/11– Grupo de Estudos V
Câmara Municipal de Curitiba

29/11– Grupo de Estudos VI
Câmara Municipal de Curitiba

30/11– PRAZO FINAL PARA CONTRIBUIÇÕES

Saiba mais: http://www.curitiba.pr.gov.br/conteudo/agenda-plano-diretor-ippuc/2004

“Por nossa saúde psíquica e bem-estar de nossas cidades continuemos a encontrar maneiras de abrir espaço para a alma.” James Hillman. Cidade & Alma.

Yasmim Reck
Entusiasta da cidade.
Coordenadora de Comunicação da ciclo iguaçu.

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